A geração que começou a trabalhar cedo para sobreviver

Eu sou uma dinossaura.

Está bom, talvez seja difícil de acreditar, rs mas eu nasci em 1982.

Na minha infância não existia micro-ondas, celular, internet, e várias outras coisas que surgiram e sumiram enquanto eu crescia.

Bem, mas não faremos um post nostálgico agora. Apesar de eu ser louca por falar de filmes, desenhos e conteúdos dos anos 80 e 90. Fica para outro dia.

Eu vim de uma família bem limitada financeiramente, perdi meu pai aos 12 anos e minha mãe era dona de casa, e um detalhe, meu pai era autônomo. Um dia detalho melhor essa historia para vocês. Dinheiro sempre foi um ponto de atenção e por isso, em casa, nosso foco era começar a trabalhar o mais rápido possível.

Optei por fazer um colegial técnico profissionalizante (atual ensino médio), de processamento de dados, para aumentar as minhas chances de conseguir entrar no mercado de trabalho.

Assim o fiz, em 1999 tive minha carteira assinada pela primeira vez com o salário de R$ 450,00 que naquela época era uma boa grana para nossa família.

Eu morava em Barueri e a empresa era na mesma cidade, e eu tinha carona de um colega todos os dias. Tudo era novidade, tudo era diferente, eu não sabia muito o que fazer, como me comportar, eu agia por imitação. Olhava ao redor e fazia igual.

Não demorou para eu encontrar meu grupo naquela empresa e passar a me sentir mais confortável, aproveitando as oportunidades ao meu redor de crescer como pessoa e como profissional.

Eu não sei como eu consegui, de verdade, parece um tempo tão distante, e é mesmo ne? Afinal são mais de 20 anos.

Teria feito as mesmas escolhas, os mesmos cursos e as mesmas decisões lá atrás, aquilo era o que eu conseguia ser com a informação e idade que eu tinha.

Talvez se você olhar ao redor você encontre muitos desses meus colegas de 40 e poucos anos, que trabalham desde os 15-16 para ajudar com o sustento da casa. Muitas vezes essas pessoas não puderam estudar o que gostaria, nem seguir a carreira que tinham em mente enquanto cresciam, fizeram o que dava com o que tinham. Todo meu respeito a essa tribo.

Esse texto não é para que você se compadeça ou tenha pena dessa turma, pelo contrário, eu enxergo que aproveitamos pouco o conhecimento das gerações mais antigas, pois achamos que sabemos tudo e que a tecnologia veio para substituir muitos processos e pensamentos que executávamos.

Quero encerrar esse ponto sugerindo que você olhe ao seu redor e encontre quem são esses colegas de trabalho, pergunte sobre sua jornada profissional, seus desafios, aprendizados e tropeços, entenda que aprender com o erro do outro é muito mais barato que precisar sentir na pele.

Talvez esse profissional seja o seu pai, sua mãe, seu marido ou até mesmo seu avó. Converse mais com as pessoa ao seu redor.

Obrigada por estar aqui comigo.

Vamos juntas.

Ninguém nasce forte.

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