Viúva aos 41 anos

Essa foi a realidade da minha mãe em 1994, uma dona de casa, ficou viúva de um autônomo prestador de serviços.

Com uma filha de 12 e um filho de 15 anos se viu em uma situação que ninguém imagina para si.

Mas fiquem tranquilos, para quem me conhece sabe que dois comportamentos que não combinam comigo são, o vitimismo, pois eu reconheço meus privilégios, e nem a positividade tóxica, pois sei bem o que passei e passo para estar onde estou.

41 anos é um marco para mim
Ontem como devem ter lido, eu fiz 41 e essa data sempre me perseguiu, desde os 12 anos, pois eu me colocava no lugar da minha mãe e listava os pontos mentalmente que eu queria que fossem diferentes para mim no futuro.
Quis trazer essa lista de pensamentos para cá pois pode ajudá-los a pensar em coisas que estão fora de suas realidades atuais.
Usando o pensamento
“Prepare for the bad times during the good times.” que popularizamos como: “A hora de consertar o telhado é quando o sol está brilhando” é uma boa metáfora para o que falarei e pratiquei desde então.

Trabalhar e ser independente financeiramente
Comecei a trabalhar aos 16 anos, por precisar ajudar nas contas da casa e para que o mais breve possível iniciasse minha vida profissional e tivesse uma carreira definida e sólida.
Claro que esse pode ser um pensamento ingênuo, mas foi o que pensei lá em 1998.
Durante 24 anos, trabalhei no brasil em diversos mercados e funções. Na minha cabeça se um dia eu estivesse sozinha, se precisasse me sustentar, eu teria experiência e conhecimento suficiente para trabalhar no que fosse para manter as contas em dia.
Quero deixar claro que a escolha de minha mãe parar de trabalhar foi tomada pela minha mãe e meu pai após o nascimento do meu irmão em 1978.
Minha mãe trabalhava desde os 14 anos, assim como eu, para ajudar no sustento da casa, e no caso dela, não pode estudar, precisou parar logo após concluir o ensino fundamental.
O que nos leva ao próximo tópico.

Estudar
Claro que os tempos eram outros em 1960-70, mas vemos muitos comportamentos dessa época sendo reproduzidos até hoje, então não me privarei de falar sobre o tema.
Conheço muitas mulheres que tem vontade de voltar a estudar, ou fazer um curso profissionalizante, ou até mesmo estudar para ajudar os filhos com mais segurança nas tarefas escolares e são privadas disso pelo simples fato de que precisam ou prover, são a renda da casa e não dá para conciliar tudo, ou mesmo não trabalhando fora não são apoiadas pelos seus parceiros.
Por mais que hoje em dia se fale muito sobre não precisar fazer faculdade, que existe muita coisa de graça online ou cursos pontuais, eu sempre vou ser da linha de pensamento que não existe uma única solução para 100% da população.
Não importa se o curso for de um ano ou cinco, se for presencial, híbrido ou online. Faça o curso que couber no seu bolso e na sua agenda.

A maternidade é um momento muito importante na vida de qualquer mulher que escolhe ser mãe, porém sabemos que o mercado de trabalho não está ainda preparado para acolher essas mães de forma decente.
Tudo isso para dizer que, se for possível e sua realidade permitir, se você for solteira e sem filhos, use parte do seu tempo e dinheiro estudando, investindo em conhecimento. Não importa de que área ou de que tipo, mas invista em você.
Caso você não tenha tido tempo ou oportunidade de estudar antes dos filhos e do casamento, talvez seja um bom momento para alinhar as expectativas com o seu parceiro ou parceira.
Deixando claro, antes de ir pro próximo ponto que eu fiz colegial técnico de processamento de dados em uma instituição pública, fiz um curso superior técnico de comércio exterior e recentemente uma pós-graduação de comunicação e marketing. Os dois cursos pagos me custaram menos de R$ 400 por mês, pois como disse anteriormente, a gente estuda o que nosso bolso permite.

Conversas sobre o futuro
Falar sobre temas delicados são sempre uma luta em muitas casas pelo mundo. Seja para ter conversas com seus pais sobre o curso que escolheu fazer que eles não concordam, seja para dizer que não fará faculdade e prefere começar a trabalhar e depois escolher uma área ou simplesmente falar a respeito.
Falamos pouco sobre o futuro, eu sei que grande parte da culpa disso é porque estamos tentando sobreviver e pagar as contas, mas talvez se quisermos mesmo, desligamos a TV e deixamos o celular de lado e arrumamos tempo para esse assunto.
Ter conversas sobre o futuro com seu parceiro e parceira são essenciais para definir o rumo da relação. Seja para compartilhar planos de morar em outro estado ou país, seja para dizer se querem ter filhos ou não, além é claro de compartilhar essas questões de trabalho e estudo.
Quando você decide dividir a vida com alguém se imagina que vocês esperam caminhar juntos na mesma direção.

Talvez se minha e meu pai tivessem conversado sobre o futuro, o destino deles poderia ter sido um pouco diferente. Não, não teria evitado a morte do meu pai, mas minha mãe poderia estar mais preparada para assumir o sustento de uma família, ou até mesmo ter algum seguro de vida feito para uma eventualidade.
Desde que eu e meu marido estamos juntos tentamos conversar e planejar o futuro da melhor forma, conversas sobre morar fora e ter filhos permeavam nosso dia a dia, e claro, temos seguro de vida desde que estamos juntos.

Seguro de vida
Esse tema parece extremamente desconfortável, eu sei, mas vamos voltar a história de 1994 que começou esse texto. O que seria diferente na vida da Clara com um seguro de vida do Pedro que pelo menos segurasse as contas da casa por 3-6 meses?
Claro que seguro a gente faz para não usar, essa é a máxima em casa. Temos seguro de vida quando financiamos juntos uma casa, um para cada um, afinal na falta de um de nós a renda não seria suficiente para pagar a parcela da casa e manter as contas em dia, por isso, nessas horas precisamos ser racionais.
Hoje moramos no Canadá e aqui seguimos a mesma lógica, cada um de nós tem um seguro que cubra pelo menos um período da contribuição do salário do outro até que tudo se ajeite.
Reforço que, se não aprendermos com as histórias do passado elas tendem a se repetir. Eu realmente acredito que é mais barato aprender com a experiência das pessoas a nossa volta, nem sempre precisamos sentir na pele.
Eu converso com a minha mãe sobre cada um dos temas, ela fez o melhor que ela pode para chegarmos até aqui, e ela de certa força reforçou cada um desses pensamentos ao longo da minha vida, pois para ela estava claro o que tinha faltado.
Como disse no começo, essa não é uma história triste, mas um relato de pontos que podem ser pensados e conversados para que seu futuro seja mais brando e suave que o da Clara de 1994.

Relembrando

  • Trabalhe busque independência financeira
  • Estude e invista em conhecimento sempre
  • Tenha conversas difíceis sobre o futuro
  • Faça seguro se você é responsável pelo sustento de alguém além de você
  • Não esqueça de curtir os bons momentos

Se você tem uma história parecida ou algo dessa história te tocou, terei o maior prazer em conhecer e escutar.

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