Nesse dia “simbólico”, muitos de nós gostamos de listar nossos atingimentos do ano e compartilhá-los com o mundo. Seja nas redes sociais, seja com amigos próximos, ou seja, no seu diário pessoal.
Conquistar nossos sonhos e realizar nossos objetivos é o que nos move, o que nos faz acordar em um dia de exaustão e puro cansaço e continuar fazendo, porque precisamos fazer.
Não consigo imaginar uma vida sem objetivos, sem sonhos a perseguir, mas ao mesmo tempo convivo com pessoas que vivem o dia de hoje, sem pensar muito, sem esperar muito e no fundo acho que já fui essa pessoa também.
Quando você não tem muito, (leia-se quando você é pobre), não existe muito espaço para sonhos mirabolantes ou esperanças descabidas, afinal você só tem a sua fé e o próximo dia para viver e sobreviver.
Mas não é um texto sobre crítica social ou qualquer coisa nesse teor.
Ter ambição não significa querer conquistar bens materiais, você pode ter a ambição de filhos saudáveis e felizes, de uma comunidade mais unida e livre de preconceitos, de uma sociedade livre e que viva com o mínimo para ter dignidade, ou seja, não estamos falando de conquistas relacionadas a dinheiro (diretamente).
Eu também acho que não existe nada errado em ter objetivos materiais, desde que eles sejam fruto de seu trabalho e que não escravize ou explore ninguém, está tudo certo.
Para conquistar meu objetivo de estar mais presente na vida de minha família, eu precisei viver uma experiência de objetivo material, que foi mudar para o Canadá, e antes disso acumular bens suficientes para patrocinar isso.
Isso tudo para explicar que muitas vezes precisamos de objetivos e sonhos baseados em conquistas materiais para atingir nossos objetivos pessoais não tangíveis.
Um dia farei um texto dedicado ao tema sobre ser útil, não hoje, pois preciso falar sobre outro assunto.
Hoje, enquanto penso no meu 2023 e no meu 2024 recebo a notícia da partida precoce de uma pessoa que conheci esse ano e representou muito para mim no sentido de pureza, arte e sensibilidade. Estou falando de uma pessoa generosa, carinhosa e extremamente preocupada com os valores da sociedade e com uma sede de justiça muito grande.
Meu coração se entristeceu, mas agradeci por ter tido a oportunidade de conhecê-la, e saber o quanto ela foi útil em vida, o quanto ela plantou em vários de nós o senso de olhar para dentro, de sentir e de se permitir ser frágil.
Estamos vivendo dias difíceis, onde estamos nos acostumando aos números de partidas precoces, estamos banalizando os índices de problemas de saúde mental e ignoramos os sinais ao nosso redor.
Que em 2024 saibamos pedir ajuda quando não estivermos mais suportando o processo, e que ao sermos procurados possamos ajudar genuinamente as pessoas, ajudar com bondade e sem julgamentos.
Sugira, sempre que possível, as pessoas procurem ajuda médica, clínica, psiquiatras e psicólogos. A gente precisa entender o quão sério tudo isso é, a religião sozinha não vai resolver pois não é falta de Deus, o óleo essencial não vai resolver, a constelação não vai resolver. Não deveríamos brincar de Deus por ai com a vida das pessoas. Não é frescura, não é mimimi.
Enfim, pesado para um 31 de dezembro? Talvez, mas se faz necessário.
Que em 2024 todo mundo encontre a chance de viver mais e melhor.
Feliz novo ciclo para a gente, e que a Tali encontre o descanso que ela tanto precisava.

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