Sempre que estou me preparando para uma entrevista, penso nas respostas relacionadas a qualidades e defeitos, afinal, saber reconhecer suas forças e fraquezas são pontos importantes nesse processo.
Eu tenho vários pontos de vulnerabilidade e fraqueza, mas hoje a maturidade me permite enxergar com clareza o principal deles: Eu não sei pedir ajuda. Coloco como agravante a isso o fato de não saber quando descansar. Ou seja, a soma desses dois comportamentos gera um ser humano em exaustão constante, ansioso e sempre a beira de um colapso.
Se você, assim como eu, cresceu nos anos 1990-2000 teve pais muito focados em trabalhar, em não descansar, em ressaltar a importância do trabalho exaustivo pois só ele te levará a uma vida melhor, com mais qualidade de vida, seja lá o que isso for, pois claramente isso não era foco.
Quase todos os meus colegas próximos, da minha geração tem em comum esse comportamento de tentar fazer tudo sozinho, de não pedir ajuda para não demonstrar fraqueza ou vulnerabilidade e principalmente não saber quando parar e descansar.
Talvez esse seja um dos pontos onde mais conflitamos com a nova geração, que conhece melhor os seus limites e para de seguir antes de atingi-los.
Demorei para entender que esse “superpoder” de nunca parar, de não precisar de ninguém e de aguentar tudo calada e sozinha era uma fraqueza, não algo a se orgulhar.
Ainda não sei exatamente como corrigir totalmente isso, mas estou tentando, aos poucos e com pequenos passos.
Muitos de vocês sabem que depois de minha mudança para o Canadá tenho encontrado dificuldades em me colocar profissionalmente no mesmo nível do Brasil, e essa frustração é tema para outro “desabafo”. Mas queria compartilhar que tenho me aberto mais a questão de aceitar ajuda e até mesmo pedir ajuda. Recentemente fui a um evento de Networking com mulheres de comunicação e tecnologia da região e fiz conexões incríveis.
Dali surgiu uma conexão com uma pessoa especial, que me ofereceu ajuda, uma conversa, sem expectativas. Aceitei é claro, afinal a nova Gisele aceita ajuda.
Essa conversa, além de terapêutica, trouxe reflexões e identificações importantíssimas sobre minha vida pessoal e profissional, deixando mais claro as possibilidades que tenho a minha frente.
Dito isso, queria agradecer publicamente a Sarah-Beth Bianchi e sugerir que vocês entendam o momento de parar e pedir ajuda, que não é demérito ter um tempo para suas necessidades e corrigir o percurso se necessário.
A Sarah é uma coach que auxilia no desenvolvimento pessoal e profissional de mulheres e pessoas não binárias na comunidade tecnológica. Se você acredita que precisa desse tipo de suporte, não pense duas vezes em procurar seus serviços.
As vezes precisamos de ajuda profissional, isso pode encurtar o tempo de sofrimento e dor. Está tudo bem não saber tudo.
E você, sabe quando parar e pedir ajuda?

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