Isso mesmo, eu não tenho nenhum ator, cantor, banda, escritor ou alguém que eu idolatre tanto a ponto de priorizar consumir seu conteúdo a fazer o que realmente o que devo fazer.
Sei que pode te soar estranho isso, mas eu acredito que ter ídolos atrapalha muito a sua vida. Me explicarei melhor ao longo do texto.
Eu cresci nos anos 90, claro que eu assisti a Xuxa, Angélica, Mara Maravilha, Mundo da Lua, entre outros programas que todos as crianças da época assistiam. Tive contato com desenhos da Disney, não muito, mas tive, assim como com personagens e super-heróis da época.

A vantagem de uma infância com poucos recursos, me permita a licença poética de chamar isso de vantagem, é que você, pela limitação financeira, não tem opção de ter os itens materiais que incentivam uma idolatria a um personagem, seja isso uma boneca, uma roupa, um álbum, um poster, enfim, a limitação de recursos deixa claro o quando isso é supérfluo.
Essa construção de desapego na infância me ajuda hoje na vida adulta, que por mais que eu goste de um artista, eu não vou gastar um tempo e um dinheiro que eu muitas vezes não tenho com ele.
Inclusive eu tenho até dificuldades para entender a idolatria das pessoas, por mais que eu respeite, eu tenho dificuldade em me identificar, ter empatia.
Ver pessoas horas em uma fila na chuva e sol, pessoas gastando um dinheiro que não tem, fazendo dívidas para viajar e ir ao show de um ídolo, em pessoas que compram por impulso qualquer coisa que seu ídolo coloque a venda.

Sei que você ainda está com o nariz torcido se chegou até aqui, mas entenda que isso não é uma crítica, é uma descrição de fatos que acontecem ao nosso redor.
Minha “escolha” em não tem um ídolo me permite ter a liberdade de tempo de me dedicar a minha família com qualidade, por não sentir que PRECISO sentar e assistir temporadas de séries que não somarão muito na minha vida, que não preciso acompanhar TUDO que meu ídolo posta nas redes sociais e sair correndo pra comentar e discutir com haters nos comentários, e por aí vai.
Sem dúvidas, também me permite ter tempo de me preocupar com minha carreira, onde preciso melhorar e o que preciso fazer, olhar ao redor e como posso melhorar como pessoa e ajudar as pessoas a minha volta.
Idolatria pra mim é quase uma doença, e todo mundo perde, inclusive o ídolo, que tem um monte de gente que deposita a sua vida naquele personagem construído. Seus ídolos são pessoas normais, que erram e que normalmente são péssimos seres humanos na sociedade, e eu realmente não consigo me conectar com isso.
Meu objetivo com esse relato não é dizer que sou melhor ou pior que você, mas trazer para a reflexão em tempos tão rasos, de abandono do que realmente importa e de fugas da realidade, que ter ídolos pode ser falta de maturidade sim.
Para minha sorte, casei-me com alguém que tem a mesma relação com idolatria que eu, ou seja, zero ídolos de estimação, e com isso estamos conseguindo criar Olivia da mesma forma, sem essa busca externa por algo perfeito que na verdade não existe.
Historicamente, a idolatria já nos trouxe muito sofrimento e problemas que poderiam ser evitados, seja idolatria religiosa, política ou de valores.
Coloque um pouco de reflexão nesse tema, olhe para sua casa, sua família, sua realidade. Primeiro a gente olha pra dentro, resolve, encontra a paz e depois a gente sai para arrumar o mundo.
Boa semana para vocês.

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