(minha experiência de 30 dias)
Já faz um tempo que as redes sociais servem para qualquer coisa menos para a relação entre pessoas. Trocas de ideias e conexões ficaram pra trás. O objetivo das redes hoje é simplesmente vender, seja uma imagem, um produto, uma verdade ou uma ideologia. Quase ninguém realmente se importa com as pessoas com as quais estão conectadas.
Esse sentimento de desconforto com as redes me causou muita ansiedade recentemente e decidi dar uma pausa por um mês no consumo especificamente do Instagram, por considerar ser a mais viciante e onde a grama do vizinho é sempre mais verde.
Quero, portanto, compartilhar algumas das minhas percepções sobre esse período distante desse “conteúdo”:
– Sobra tempo pra viver
Quero começar por esse ponto, pegar o celular e ficar atualizando a página para ver o que aparecia era meu vício. Sem limite de tempo, sem foco, sem motivo aparente, fazendo pelo hábito.
Quando você não tem esse processo para executar, você esquece da existência do celular, você passa cada vez menos tempo com o celular em mãos e com isso sobra tempo para outras atividades.
Consegui organizar coisas que estavam em meus planos há tempos, consegui pensar melhor em meus objetivos e diminui significativamente minha cobrança e comparação com a vida dos outros.
– Reconhecimento do que é realmente importante
Por mais que eu não seja uma pessoa de seguir famosos, acompanhar trends, viver realidades paralelas de séries ou artistas, ainda assim gastava um tempo acompanhando a vida de pessoas que pouco importam para mim.
Pessoas que não estão relacionadas a mim, que não somam nada na minha evolução e que só servem para alimentar meu lado crítico, seja para criticar o que a pessoa esteja fazendo, seja para me comparar com ela e ver o quão mal eu estou fazendo as coisas. Inútil eu diria.
Nesse tempo longe disso, tenho sentido menos ansiedade, menos desconforto com minhas escolhas e certamente desocupei espaços nas minhas emoções que estavam tomados por inveja ou insegurança.
– Planejando o futuro
EU tenho a impressão de que essa alienação que vivemos (desde sempre) em colocar entretenimento em nossas vidas para não lidarmos com nossa realidade é intencional, no mau sentido. O famoso pão e circo, nunca quis ser parte desse sistema, e mesmo assim lá estava eu.
Nada contra em quem prefira viver alienado, mas esse nunca foi meu objetivo, e mesmo assim me pagava me preocupando com fatores os quais não tenho o menor controle, e deixando de focar nos que eu tenho total controle.
O que eu estou fazendo com minha carreira? Para onde estou indo? O que preciso fazer para mudar? E minha vida financeira? Quais os negócios que posso fazer parte para melhorar meus ganhos? Como está minha família? Estou olhando pra isso?
Enfim, quanto se tira as distrações da frente, encarar a realidade, muitas vezes amarga e feia, é inevitável.
– Efeito exemplo
Como pais, adoramos falar de exemplo, de ensinar nossos filhos baseado nisso, mas somos os primeiros a falhar nisso. Minha filha frequentemente me via no celular, rolando a linha do tempo do instagram, fazendo nada, só alienada, mas na “presença” dela.
O fato dela me ver menos no celular faz com que a gente interaja mais, façamos outras coisas juntas e ela cada vez menos sente vontade de pedir para assistir ou jogar no celular.
Uma mudança pequena pode impactar a vida de todo mundo ao redor.
– E o FOMO? (Fear of missing out)
Você deve estar se perguntando, mas Gisele, sério que você não ficou em pânico sobre perder informações importantes, acontecimentos nesse período? De verdade não. Pedi para meus amigos me procurarem caso precisem de mim, o mesmo com minha família.
Como disse antes, a vida dos famosos pouco me importa, assim como a minha não importa pra eles.
E eu com isso, você deve estar se perguntando. Bem, eu não sou ninguém para te dizer o que fazer ou controlar seus hábitos, mas baseando-se em uma situação pessoal gostaria de sugerir que você faça esse exercício de um mês sem algo que você é viciado.
Seja um jogo no celular, seja uma rede social, seja um “entretenimento”, qualquer coisa que te afaste de sua realidade, qualquer distração que te ajude a fugir da sua vida real.
A gente deveria ser mais presente em nossa própria vida, deveríamos buscar menos fugas da realidade.
É provável que eu volte para as redes sociais, mas se depender de mim, nunca mais será como antes. Esse compromisso eu firmei comigo mesma, afinal, quem precisa ter o controle da minha vida sou eu.
Depois me conta se você já passou por algum processo desse de privação de vicio, como foi e se mudou algo em você.
Beijos

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